São Miguel recebe ação inédita para redução de acidentes

Ação de requalificação urbana privilegiará segurança de pedestres, ciclistas e de passageiros do transporte coletivo. Iniciativa pioneira é apoiada por entidades internacionais




A área mais movimentada de São Miguel Paulista, na zona leste, receberá uma ação inédita de requalificação urbana, com o objetivo de reduzir acidentes de trânsito, em especial as mortes provocadas por atropelamentos. A região escolhida para a intervenção possui o índice de 734 acidentes com vítimas por quilômetro quadrado, o que representa 860% a mais que a média da cidade, que é de 85 por quilômetro quadrado. A ação pioneira é baseada em experiências internacionais de sucesso e recebe o apoio daBloomberg Initiative for Global Road Safety.

“Queremos que o centro de São Miguel se torne o mais amigável possível. Acreditamos que isso vai mudar a rotina da comunidade. Se for bem sucedido aqui, vamos expandir para todos os centros de bairros das outras subprefeituras”, afirmou o prefeito Fernando Haddad, em apresentação do projeto realizada nesta quinta-feira (2). Segundo Haddad, a iniciativa de humanização do espaço público e da mobilidade gera benefícios ambientais, como a redução da poluição do ar; de saúde pública, pela redução de acidentes e do sedentarismo; e de segurança urbana, com aumento da vitalidade do bairro.

A ação tem como objetivo incentivar a transformação de São Paulo em uma cidade para as pessoas. As intervenções se baseiam em experiências nacionais e internacionais de sucesso, realizadas em cidades como Cidade do México, Buenos Aires, Bogotá e Belo Horizonte. Mas o projeto é pioneiro internacionalmentepelo seu porte e por atuar em uma área periférica, distante cerca de 24 quilômetros do centro.

Para Janette Sadik-Kahn, secretária de transportes de Nova York durante a gestão de Michael Bloomberg e presente no evento de apresentação do projeto, um benefício desse tipo de intervenção urbana é o aquecimento da economia. “Nossa experiência foi de que as ruas que se tornaram melhores para as pessoas também se tornaram melhores para os negócios, até porque carros não consomem. São mudanças que podem ser feitas em meses e que transformam a cidade. Podem se tornar um modelo para todo o Brasil”, disse J Sadik-Kahn. Segundo a especialista, a partir da experiência de São Miguel será elaborado um manual para a extensão das melhorias para toda a cidade.


Requalificação
As medidas de segurança receberão investimentos de cerca de R$ 6 milhões e beneficiarão o entorno da avenida Marechal Tito, a segunda da cidade com maior número de atropelamentos fatais em 2014, perdendo apenas para as Marginais.  A primeira ação foi a transformação, em setembro de 2015, do perímetro de meio quilômetro quadrado em uma Área 40, ou seja, com velocidade máxima de 40 quilômetros por hora. Atualmente, a cidade possui 12 Áreas 40 e uma Área 30, somando 16,5 quilômetros quadrados.

Em seguida, serão realizadas 28 intervenções, com o objetivo de tornar a região mais segura e confortável para pedestres, ciclistas e passageiros do transporte público. Serão implantadas calçadas com mais espaço, travessias elevadas (lombofaixas) e ciclovias. “Pretendemos fazer esta intervenção, derrubar o número de acidentes e, ao mesmo tempo, incentivar uma grande concentração de atividade econômica. A estratégia é agir em pontos específicos que se integram, com intervenções de pequeno e médio porte”, explicou Ciro Biderman, diretor de inovação da SPNegócios e coordenador do MobiLab, laboratório de mobilidade urbana da Prefeitura.

Haverá a abertura de locais para lazer, revitalização de praças, instalação de paraciclos e de bancos, iluminação LED e arborização. Outra iniciativa é deixar as travessias mais curtas para os pedestres. Estima-se que cada metro reduzido provoca uma diminuição de cerca de 6% no risco de morte por atropelamento.

Na área, cerca de 70% dos imóveis são de uso não-residencial. A região revitalizada inclui locais com grande circulação de pessoas, como a Praça do Forró, a estação São Miguel da CPTM, o Mercado Municipal de São Miguel e o Hospital Tide Setúbal. Estão incluídas no plano as vias delimitadas pela avenida Marechal Tito, ruas José Otoni, Rachid Athié, Salvador Medeiros, praça Padre Aleixo Monteiro Mafra, avenida Nordestina, ruas Dr. José Guilherme Eiras e Pedro de Soares de Andrade. Estão incluídos o calçadão Serra Dourada e as praças José Caldini e Getúlio Vargas. A primeira fase tem previsão de conclusão até setembro de 2016.

Marechal Tito
Na avenida Marechal Tito, a proposta é que na segunda fase de intervenção seja permitida somente a circulação de ônibus e pedestres, no trecho entre a Praça Pedro Aleixo Monteiro Mafra e a rua Pedro Soares de Andrade. Essa segunda fase tem previsão de conclusão em 2017.

A ideia é ajustar o espaço disponível para acomodar os mais de 7.200 pedestres e 16 mil passageiros de ônibus que passam pelo local por hora. Isso porque, embora representem apenas 10% no volume de tráfego, os carros, caminhões e motocicletas têm atualmente reservado 43% do espaço da via. Com a remodelação, haverá duas faixas para circulação exclusiva de ônibus e calçadas com mais de três metros de largura para os pedestres.  A avenida recebe todos os dias 320 ônibus por hora.

O Centro de São Miguel registra 252 atropelamentos por quilômetro quadrado, índice que representa 1000% a mais que a média da cidade, que é de 23 por quilômetro quadrado. A quantidade deste tipo de acidente também supera o índice registrado em todo o distrito de São Miguel, que é de 44 atropelamentos por quilômetro quadrado.

Resultados
As intervenções serão discutidas em oficinas com a população que vive, circula e trabalha na região. Seus impactos serão verificados utilizando a metodologia de tratamento e controle. Haverá a realização de três pesquisas, sendo uma com os usuários da área, outra com os moradores e uma terceira com o comércio. Além disso, será monitorado o total de pedestres e bicicletas circulando por meio de câmeras. Outra variável será o nível de poluição do ar antes e depois da intervenção. Para controle, essas mesmas pesquisas serão realizadas na Lapa, zona oeste, para garantir que os resultados medidos foram causados realmente pela intervenção.


Fonte: http://www.capital.sp.gov.br/portal/noticia/10965/#ad-image-6

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