Um shopping para São Miguel Paulista





Publicado em Domingo, 24 Março 2013 19:27
Escrito por André de Almeida



Diz o ditado popular que shopping center é a praia do paulistano. A afirmação até se se justifica, já que a cidade de São Paulo possui atualmente mais de 50 centros de compras, que ficam invariavelmente lotados, principalmente nos finais de semana. E em menos de três anos, São Miguel Paulista, uma das poucas áreas da capital que ainda não tinha empreendimentos desse porte, abrirá as portas ao seu primeiro shopping center.
Chamado Estação Jardim, o novo shopping deverá beneficiar até um milhão de pessoas que vivem no extremo leste da cidade, número aproximado de moradores dos bairros atendidos pelas subprefeituras de São Miguel e Itaim Paulista juntas. "Hoje em dia, para ir ao shopping, o morador da região tem de se deslocar até Itaquera", afirma o superintendente da Distrital São Miguel da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Antônio Abrão Mustafá Assem.
Para ele, o novo centro de compras trará muitos benefícios, não apenas para as lojas do entorno, mas também para o segmento de serviços locais. Na opinião do dirigente, a concorrência com o shopping não trará prejuízos para o forte comércio de rua de São Miguel Paulista. "Há espaço para todos e a convivência será pacífica. A população ganhará muito com as salas de cinema e praça de alimentação, entre outras opções de lazer", diz Assem.
Infraestrutura - O novo empreendimento será construído em um terreno de 104 mil metros quadrados na avenida Marechal Tito, entre São Miguel e Itaim Paulista, onde já funcionou uma indústria metalúrgica. Serão investidos R$ 240 milhões no shopping, que terá três pisos e 200 lojas – sete âncoras – dois restaurantes, praça de alimentação com 21 operações, quatro salas de cinema, um teatro, setor de serviços e estacionamento com 1,6 mil vagas. A Área Bruta Locável (ABL) será de 31 mil metros quadrados.
De acordo com Henrique Falzoni, presidente da Enplanta Engenharia, empreendedora, o Estação Jardim, quando pronto, irá gerar em torno de 3 mil empregos diretos. "Estamos em processo de aprovação da planta. Acredito que as obras tenham início em janeiro e que esteja aberto ao público em 2016", afirma.
Falzoni afirma que a intenção de construir um shopping na região de São Miguel Paulista é antiga, mas o área só foi adquirida há pouco mais de um ano. "Fizemos um estudo de mercado e uma pesquisa qualitativa a fim de viabilizar o projeto do shopping, que será focado na nova classe média. O contato com possíveis lojas âncoras já começou, com o objetivo de dar início à pré-locação", diz.
Estímulo - Para o superintendente da Distrital São Miguel, a construção do shopping poderá servir como estímulo para que a Prefeitura paulistana invista mais na região, com a realização de obras viárias e de infraestrutura. "Um equipamento desse porte traz consigo um aumento considerável no número de veículos. Algumas intervenções terão de ser feitas no seu entorno", conclui o dirigente.
Entre as propostas da Distrital São Miguel para o sistema viário, está a criação
de um corredor de ônibus para promover a interligação com o centro da cidade, passando pelas avenidas Marechal Tito, Itaquera-Itaqueruna, Imperador, Estrada de Mogi das Cruzes, Governador Carvalho Pinto, Celso Garcia e Rangel Pestana.
A distrital também defende a melhoria da sinalização, com placas de trânsito, a alteração da mão de direção em algumas vias e a construção de uma linha do Metrô que passe pela região. Hoje a área de São Miguel é atendida pela linha 12 da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).
Do arcanjo ao forró
Como muitos outros bairros paulistanos, São Miguel Paulista também surgiu da transformação de aldeamentos indígenas em povoados brancos, por volta de 1560. Neste caso, os índios guaianases, catequisados por José de Anchieta. Centenas de anos e  de transformações depois, no início do século 20, São Miguel viu o número de olarias se multiplicar para atender uma cidade que não parava de crescer. Além dos tijolos, fornecia madeira, carvão, pedregulho e areia extraída do rio Tietê.
A história do bairro, no extremo leste, passa também pela praça padre Aleixo Monteiro Mafra, a praça do Forró. É nela que está a capela de  São Miguel Arcanjo – de quem o jesuíta José de Anchieta era devoto –, uma reconstrução da igrejinha que deu início ao bairro, lá em  1560. A praça do Forró já foi palco de muitos shows nas últimas décadas e de manifestações do Movimento Popular de Arte de São Miguel Paulista, criado no final da década de 70. 
Outra referência na região é a fábrica da Companhia Nitro Química Brasileira, a primeira do mercado nacional de Nitrocelulose, seu principal produto. Implantada em 1935, a Nitro Química contribuiu muito para o crescimento do bairro.  Em mais de 70 anos, já empregou milhares de trabalhadores e, ao lado das olarias e fábricas de cerâmicas, teve um papel importante na primeira metade do século 20, atraindo centenas de pessoas que buscavam emprego. Até hoje, a Nitro é uma das empresas que mais oferecem vagas de trabalho. O centro de São Miguel, nos arredores da Praça do Forró, é hoje um importante polo comercial e residencial.



Fonte: http://www.dcomercio.com.br/index.php/cidades/sub-menu-cidades/distritais/106738-um-shopping-para-sao-miguel

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