Mobilização da zona leste de São Paulo aposta na educação para resolver problemas locais


Escolas da região se articulam para instaurar processo participativo em prol do desenvolvimento dos potenciais da região.

Situados na ponta da zona leste de São Paulo, os distritos do Itaim Paulista, Jardim Curuçá e Jardim Helena refletem como a desigualdade sócio-econômica atinge a maior capital do Brasil. Altas de taxas de homicídio – 8,2 por cem mil habitantes; falta de equipamentos culturais – apenas 2% do total da cidade; e baixa participação da comunidade na implementação de soluções para os problemas locais são alguns dos motivos que levaram moradores e trabalhadores da região a se mobilizarem.



Iniciado em 2007, o Projeto “Itaim-Curuçá: Educação Como Desenvolvimento Local” é fruto de uma aliança entre a USP, órgãos públicos e entidades da sociedade civil, para viabilizar o desenvolvimento local tendo a educação como centro das ações. Em 2013, além de um documento base, realizado com apoio de oito escolas da região, está sendo organizado um seminário para debater temas como educação e cidadania.



Como parte das atividades de engajamento, os moradores participam de cursos de extensão universitária na USP Leste. “Buscamos com isso promover o diálogo no interior da sociedade civil, no ambiente interno dos órgãos do Estado e entre este e a sociedade civil”, explica o professor de Sociologia da Educação da Faculdade de Educação da USP (FEUSP), Elie Ghanem, um dos articuladores da proposta.



Falta de democracia





Localizada na ponta da zona leste, Itaim-Curuçá reflete as desigualdades da cidade.

A partir de um diagnóstico feito na região, a falta de democracia em que vivem os habitantes de Itaim-Curuçá foi apontada como um dos maiores bloqueios à liberdade, igualdade e solidariedade a que têm direito. Para reverter esse quadro, três eixos norteadores foram elencados.



O primeiro trata da articulação política da sociedade civil, enfrentando a fragmentação do poder público. O segundo aposta na dinamização da economia local, por meio de investimentos e empreendimentos. E o terceiro enfatiza o enfrentamento da violência por meio de uma política democrática de segurança pública.



Comunidade e escola



O diretor da escola municipal Armando Cridey Righetti, José Nilton da Silva Lopes, ressalta que uma das suas principais expectativas com a mobilização é a aproximação da comunidade na tentativa de solucionar problemas locais.



O maior desafio, revela o educador, está em dar continuidade à participação. “É importante que os professores vejam uma ligação com o trabalho em sala de aula, atrelando esse tipo de atividade com o trabalho docente ou escolar.”



Dentro da escola em que atua, Lopes afirma que a existência de um Conselho bem atuante trabalha em prol do engajamento. “Tanto os professores, funcionários, pais de alunos e os próprios alunos têm voz neste Conselho e decidem coisas, aumentando a aproximação das famílias com a escola”, observa.



Maria Cláudia Vieira Fernandes, diretora em licença da Armando Righetti, comemora a presença de outras escolas nas reuniões que antecedem o seminário – foram realizadas duas até agora. “É diferente quando as propostas são apresentadas com uma escola ou a partir do envolvimento de várias unidades. Mais que os resultados em si, busca-se o envolvimento pela formação e o aprendizado das pessoas”, acrescenta.



Educação e desenvolvimento local



Com o objetivo de articular alianças que ajudem a alcançar as metas do projeto, está em fase de elaboração o “Seminário Educação como Desenvolvimento Local”, ainda sem data prevista para realização. Para Elie Ghanem, é fundamental unir a teoria à prática na formação cidadã dos participantes.



“Não queríamos manter a separação entre concepção e execução. A principal dificuldade talvez seja que o trabalho educacional está direcionado para a atuação sobre os principais fatores que geram a falta de democracia em que vivem as comunidades”, avalia.



A próxima reunião, a terceira de 2013, aberta a todos os interessados, tem data marcada para o dia 20/3, às 15h, na Escola Municipal de Educação Fundamental Armando Cridey Righetti (em frente à estação de trem Itaim Paulista), na rua Cordão de São Francisco, 797, em São Paulo. Aqueles que não puderem comparecer podem contribuir enviando seu email para o professor Elie, no endereço elie@usp.br.

Fonte: http://portal.aprendiz.uol.com.br/2013/03/15/mobilizacao-da-zona-leste-de-sao-paulo-aposta-na-educacao-para-resolver-problemas-locais/

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