Edvaldo Santana na Vila Madalena


Sua música passeia com a mesma naturalidade pelo rock, pelo blues, pelo rap, pelo reggae, pela salsa, pelo samba e pelos ritmos nordestinos


Estou me comunicando para informar que estarei fazendo show com a banda na noite de Sampa no dia 25 de outubro, terça feira as 22h no Melograno que fica na Rua Aspicuelta, 436, Vila Madalena- SP-. No repertório apresentarei músicas do novo álbum Jataí e também cançoes dos discos anteriores.

Lembro que o novo cd Jataí está disponivel para download no site: www.edvaldosantana.com.br

abs de Edvaldo Santana

Hasta la vista !!!
Acesse o site: http://www.edvaldosantana.com.br

Edvaldo Santana, o compositor preferido do pernambucano Lenine, é dono de uma carreira independente marcada por uma curiosa discografia. Fruto da formação eclética, repleta de boas influências, sua música passeia com a mesma naturalidade pelo rock, pelo blues, pelo rap, pelo reggae, pela salsa, pelo samba e pelos ritmos nordestinos. Em seu sétimo álbum solo, Jataí (Independente, R$ 20,00), esta mistura explosiva recebe um tratamento econômico — que aproxima a execução instrumental e a sonoridade da voz para bem perto do ouvinte.

Sem recorrer às “perfumarias tecnológicas” (que é como ele se refere à parafernália eletrônica muito usada na atual MPB) e optando pelo formato acústico como suporte de seu cancioneiro, Santana chega à mais um bom disco. Não somente porque suas letras mantém o padrão de qualidade dostrabalhos anteriores, mas principalmente porque mostra que, para ser moderno, ninguém precisa renegar a sua aldeia — no caso do artista, a periferia de São Paulo.

A capa, assinada pelo onipresente Elifas Andreato, parece fazer uma citação ao célebre álbum Ou Não (1973), de Walter Franco, mas no lugar da mosca em fundo branco há uma espécie de abelha (a jataí que dá nome ao CD e produz um mel com várias propriedades medicinais de cura). O inseto faz referência à faixa-título, que por sua vez homenageia o Piauí: “Eu vou tomar o mel de jataí do Piauí/ Que meu primo Edivaldino trouxe do Norte para mim”.

Embora nascido em São Miguel Paulista, zona Leste de São Paulo, a evocação do Nordeste é uma constante na obra de Edvaldo Santana. Isso porque seus pais eram retirantes que vieram tentar a sorte na “cidade grande” — ele, piauiense; ela, pernambucana. Em casa, cresceu ouvindo Manezinho Araújo e Jackson do Pandeiro. O xote e o baião aparecem de forma direta ou indireta em todos os seus discos.

Em seu novo CD, porém, a abertura é feita por um blues rasgado — Quando Deus Quer até o Diabo Ajuda, faixa meio autobiográfica, cantada em primeira pessoa, que fala de um homem pessimista e distraído, que achava que tudo ia dar errado para ele, mas acabou dando certo. “Reforço a condição otimista diante da vida que eu levo”, explica Santana.

O destaque é para a participação de Fabiana Cozza na canção Eva Maria dos Anjos, que ela divide com Edvaldo Santana. Apesar do contraste de timbres — o dela, potente e afinado; o dele, rouco e oscilante —, o dueto funciona e valoriza a letra singela - uma homenagem à “avó que fazia comida pra mim/ pros manos, pra toda família, baião com pequi/ Eva Maria dos Anjos, cabocla tupi”.

Quanto à voz de Santana: seu calo na garganta fez com que já fosse comparado a Tom Waits — um exagero que rendeu boas piadas e brincadeiras. Ainda assim, sua interpretação é agradável, aconchegante, mescla de memórias auditivas que trazem ecos de Itamar Assumpção a Sérgio Sampaio. Tanto sua voz quanto seu som não se enquadram nas exigências do mercado - o que o torna muito mais original.

À exemplo de Reserva da Alegria, disco de estúdio que o antecedeu, Jataí é criativo e sofisticado quando revela seu amor pela periferia. Nele é possível encontrar urbanidade e sertão, poesia marginal e concreta, Paulo Leminski e Torquato Neto, Luiz Gonzaga e Belchior, Beatles e Rolling Stones, Jovem Guarda e Altemar Dutra, Luiz Melodia e Tom Zé, Thaíde e DJ Hum. Tudo ao mesmo tempo agora.

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